quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Luciano Cartaxo/PSD em Primeiro Plano

A rodada de entrevistas com os candidatos à prefeitura de João Pessoa no Primeiro Plano chegou ao segundo dia. Conversei com Luciano Cartaxo, do PSD. Cartaxo tenta a reeleição e chega às vésperas da votação com uma certeza: é o mais bem colocado nas pesquisas. Seu índice de rejeição tem caído e ainda há certa folga temporal para ampliar essa vantagem no jogo. Mas não dá para cantar vitória. Não até saber o resultado das urnas.

A favor de Cartaxo há um mandato inteiro. Contra Cartaxo há também um mandato inteiro. Obras que dividem opiniões, arrancam elogios e críticas. Caso do novo Parque da Lagoa: se por um lado há quem o aplauda por devolver à cidade um patrimônio que envelhecia sem manutenção ou intervenções mais robustas; por outro, há quem o questione e cobre explicações sobre relatório da CGU, a Controladoria Geral da União, que apontou desvio de milhões de reais na execução do projeto.

A favor de Cartaxo há 4 anos de gestão. Contra ele, os mesmos 4 anos. Nesse período, muito se prometeu e nem tudo foi feito. Há quem comemore a construção do viaduto Geraldo Mariz (que ajudou a escoar o trânsito da avenida Epitácio Pessoa); há quem se dê por satisfeito com as melhorias nas estruturas das escolas, com as construções de praças que promovem a prática de atividades físicas...  Há também quem questione – desconfiado – da prematura morte do Hospital da Mulher, projeto que nunca saiu do papel por questão de ordem financeira segundo Cartaxo. Há quem reclame da ausência de um plano de mobilidade urbana, do BRT, da demora da construção da ponte sobre o Rio Jaguaribe, na avenida Beira Rio, e todos os transtornos que surgiram quando a obra começou em junho de 2014.

Há muitos dedos apontados contra o atual gestor da Capital. Há também muitas desculpas e transferência de responsabilidades: seja no quesito segurança pública, seja no quesito saúde. Mas Cartaxo, orientado por sua equipe, adotou uma estratégia que parece surtir efeito na maioria dos eleitores: foge das questões mais polêmicas e concentra sua atenção no que considera os pontos mais fortes de sua administração: capacitação da guarda municipal, iluminação de espaços públicos, climatização de escolas, realização de concurso e convocação de todos os aprovados... Isso é pouco para alguns, mas parece suficiente para outros. Tanto que Cartaxo só cresce nas pesquisas de intenção de voto.

Se as eleições fossem hoje, provável que estivesse eleito. Mas as eleições são só daqui a 2 semanas, e historicamente, na Paraíba, aqueles que tinham a máquina na mão e estavam bem nas pesquisas foram derrotados. Sabendo disso, Cartaxo não se dá ao luxo de relaxar. Tanto que diz: só paro às 5 da tarde do dia 2 de outubro. É... Guerra é guerra.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Disputa eleitoral. TV Manaíra dá início à segunda rodada de entrevistas com candidatos à Prefeitura de João Pessoa


Hoje eu conversei com Victor Hugo, do PSOL. O candidato à prefeitura da capital abriu a segunda rodada de entrevistas do Primeiro Plano, TV Manaíra. Victor Hugo é o que menos tem pontuado nas pesquisas de intenções de voto mais recentes: 2% em uma, menos de 1% em outra. Ele não desqualifica os números mas prefere ignorar os resultados. Diz que está focado no trabalho que tem feito nas comunidades e acredita que, por representar uma alternativa aos modelos de gestão já conhecidos do eleitor, pode crescer nessa reta final de campanha. Auditor fiscal do Estado, nunca disputou um cargo eletivo. Para ele, esse é um ponto positivo.  É o novo na disputa contra velhas políticas, afirma.
Representante de um partido que optou por não se coligar com nenhum outro, rechaçando assim as alianças de ocasião, Victor Hugo, no quesito transporte público – um dos calos de qualquer gestor –, promete quebrar o monopólio empresarial, abrir o mercado e, com isso, estimular o que chama de boa competição entre as concessionárias. Isso as obrigaria a melhorar o serviço e praticar preços mais competitivos.  Esse talvez seja o ponto de maior destaque de Victor Hugo em relação aos demais concorrentes.
No mais, é tudo muito parecido. Com o fim de ajudar no combate à violência, o candidato do PSOL propõe investir em iluminação pública e na melhoria da infraestrutura das periferias; na saúde, quer ampliar a rede de atendimento familiar. A palavra de ordem é humanizar. Para isso, propõe também integrar secretarias, promover cultura e fortalecimento dos movimentos sociais. Como vai fazer isso sem experiência em gestão? Com vontade e controle dos gastos públicos, garante, começando pelo corte na carne da máquina, reduzindo o inchaço e queimando gorduras.
Esse discurso é bom, mas tem um impacto muito pequeno no eleitor que anda ressabiado, desconfiado da classe política. Ainda mais quando não há parâmetros para comparar uma vez que Victor Hugo nunca teve mandato. Para alguns eleitores, votar no candidato do PSOL é atirar no escuro. Provar o contrário a 12 dias das eleições é o maior desafio desse estreante das urnas.  Sem a pretensão de vencer, Victor Hugo se esforça para a desequilibrar a balança que pende para o lado do candidato que tenta a reeleição. Terá de ser um esforço descomunal, e o histórico de vida, a questão pessoal, pode ajudar nisso.
Amanhã, 21/09/16, eu converso com Luciano Cartaxo, do PSD. O primeiro plano começa às 12h55.


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ao meu filho com amor...


Ele já está maior que eu. Aos 13 anos, acha que sabe tudo da vida! Observa o mundo, destemido; inventa soluções para as equações dos dias. Há sempre uma resposta certa. Há sempre uma resposta pronta que rasga o som sem ensaios ou rodeios. Mas hoje... Hoje ele vestiu um velho personagem, reassumiu um papel que tem ficado no canto das coisas sem importância – coisas da idade. Hoje ele se aninhou em minha cama e com a voz mansa pediu: mãe, fica aqui um pouquinho comigo. Por um minuto, passou um filme na tela dos meus olhos. Sorri. Abracei. Eu também me vesti... De um riso solto, daquele que faz a alma se expandir e a gente não caber em felicidade. Por um minuto, o ar ficou mais leve, o mundo rodopiou com graça e eu senti meu pequeno de volta. O que um afago não faz! Foi nele, nesse afago, que pela primeira vez em meses não me senti mais órfã dessa maternidade que faz a gente desejar parar a roda do tempo. Por um momento, fomos só nós. Ele e eu. Meu e dele. Sem diferenças. Sem interferências. Só amor e nada mais! Só eu e ele! E foi tão bom! Te amo, filho!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Ajuste fiscal: dois pesos, duas medidas

Temer estreou na comunidade internacional como presidente do Brasil. Não foi, contudo, uma estreia apoteótica, cheia de pompa e brilho. Primeiro porque falta a Temer o peso e a legitimidade das urnas. Naturalmente, em função disso, ele não é sucesso de crítica. Segundo porque o Brasil pilotado pelo peemedebista há 4 meses, tem o pior desempenho dentre os países que formam o bloco das 20 maiores potências econômicas do mundo. Parte disso é culpa de Dilma Rousseff! Foram inúmeras bolas-fora e insucessos em finalizações de projetos graças às jogadas táticas dos deputados federais e senadores que, muitas vezes, embolaram o meio de campo, fecharam a pequena área e blindaram o gol. 

Mas não se pode dizer que Michel Temer não teve nada a ver com furacão que arrasa o Brasil. Ele herdou de Dilma uma locomotiva capenga, é verdade, mas nunca se ouviu dele qualquer “pitaco” capaz de fazê-la pegar – nem que fosse no tranco. E em 2014, as políticas que nos levariam a esse mar de instabilidade quando embarcou pela segunda vez na campanha presidencial como vice da petista, já se desenhavam. Logo, aos olhos dos governantes do mundo todo, Temer é coautor desse modelo desastroso de gestão econômica e, por isso, responsável por ele também.

Na China, Temer anunciou sua disposição em fazer reformas estruturais para acertar as contas públicas. Nesse sentido, esse discurso até entra consonância com a proposta do G20 pra retomada do crescimento. No entanto, o acerto de contas,  por si só, não traz o crescimento a reboque. E é aí que os discursos de Temer e das demais potências do G20 não se comunicam. Esperar que a só política de austeridade coloque essa locomotiva no trilho certo é contar com uma boa dose de sorte e uma porção generosa de fé e ingenuidade.

Em 2013, a meta de crescimento do G20 até 2018 era de 5%. Diante da atual realidade do Brasil isso é quase impossível vez que o esforço para saldar as contas públicas vem acompanhado de cortes de recursos que enfraquecem os Estados e paralisam o consumo, vital para o modelo de mercado que temos aqui. Há no plano de Temer certa contradição. De um lado, o governo anuncia uma série de medidas que vão passar como rolo compressor em cima de direitos adquiridos por trabalhadores, aposentados, pensionistas... Do outro, e na contramão disso, concede-se aumento de mais de 40% para o judiciário, renegocia-se dívidas de Estados devedores em troca de quase nada.

Pergunto: Como fazer um ajuste fiscal quando se aumentam gastos de um lado, e criam-se despesas do outro? Se Temer já pegou uma situação fiscal difícil, frágil, combalida, por que aumentar as despesas e dar continuidade à sangria? Tem coisa nessa história que não está batendo! Dizem que na teoria, tudo é fácil. Nesse caso, a gente sabe que não é, ainda mais quando a teoria está muito mal explicada.