domingo, 4 de setembro de 2016

Jogo político: falta paixão, sobra interesse!

(Esta coluna foi ao ar no Primeiro Plano/TV Manaíra e Band News FM Manaíra em maio de 2016)

Não há intervalos no jogo político; assim como não há decisão tomada por paixão ou ideologia. Há sempre interesses partidários, financeiros... Tudo é avaliado, cada peça movida com  o devido cuidado, com vistas ao presente, claro, mas, principalmente, de olho no que se pode ganhar no futuro.

A filiação de Ricardo Marcelo e de Julys Roberto num passado recente ao PMDB mostrou bem isso. Não há trocas gratuitas. De um lado, vê-se o empoderamento da legenda que agora é a maior da assembleia legislativa. E embora Julys Roberto garanta que permanecerá firme ao bloco aliado do governo, o bloco oposicionista se fortalece, fica mais robusto, com melhoria significativa da capacidade de briga.

Do outro lado, a jogada mais sutil e quiça a mais inteligente. Uma tacada de mestre, eu diria. Manoel Júnior/PMDB, pré-candidato à prefeitura da capital, ganha mais soldados dispostos a reforçar a linha de frente da batalha pelo poder da capital. E com o PMDB na Presidência do Brasil, as chances do médico-deputado ficam ainda maiores! E para derrotar o PT, ex-legenda de Luciano Cartaxo/PSD, o jogo político – olha ele aí – trata de recompor velhas alianças. Em Brasília PMDB e PSDB já estão juntos! Se uniram para afastar Dilma Rousseff. Aqui, o tucano de mais alta plumagem no Senado, Cássio Cunha Lima, pode se unir a Manoel Júnior... Adversários de ontem, juntinhos de novo e não é pela ideologia. 


A paquera já começou... O que falta para fechar questão? Acordos, cadeiras, grana! E dependendo do que vem por aí, eleições municipais vão ser café pequeno... 2018 e o governo da Paraíba são o limite. PSDB, que no passado se um uniu ao PSB para derrotar o PMDB, agora pode e deve fazer o sentido inverso para tirar o PSB de Ricardo Coutinho do páreo. Alguém duvida?

PS.: previsão da colunista se confirmou. PSDB e PMDB se uniram ao PSD para derrotar a candidata do PSB.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Impeachment: a gosto do freguês

31 de agosto de 2016. Foi um dia de comemoração para uns e de luto para outros... De alegria para os que, depois de uma longa gestação, puderam ver hoje o nascimento de um projeto que começou a ser tecido pós-eleição de 2014. Projeto que chegou ao seu ponto alto com os o voto de 61 senadores que disseram sim ao impeachment.

Foi também um dia sombrio para os que tentaram, a todo custo, provar que o cenário político que se desenhava no país era reflexo de uma trama ardilosa e robusta. Esses estão de luto. Morreu para eles a derradeira esperança de salvar a combalida democracia e o mandato de uma Presidente eleita por 54 milhões de brasileiros.


Para uns, golpe de mestre... No sentido clássico. Jogada bem planejada e executada com louvor. Para outros, golpe baixo... Eivado de vícios, de pecados e tirania. Dos dois lados, soldados dispostos a lutar uma guerra-fria e declarada. Venceu quem teve maior artilharia. Venceu quem soube atacar. Perdeu quem apenas procurou se defender.


O Brasil inteiro se dividiu, escolheu lados, bateu no peito e foi à batalha. Mas os soldados das ruas pouco determinavam as decisões do quartel general em Brasília. Lá a guerra não era ideológica. Lá a guerra não era de espadas. Lá a guerra era de cargos, poder, dinheiro, vaidades.

O impedimento de Dilma Rousseff foi político. O mandato não foi cassado por causa de pedaladas ou decretos de créditos suplementares. Não foi a manobra contábil que tirou Dilma da presidência. Foi o desejo de opositores e até de aliados de chegar ao poder sem a legitimidade do voto. Alegaram que a conjuntura ou a soma dos fatores – desemprego, falta de governabilidade, crise econômica – era o bastante. Não seria. Mas foi. Não deveria.

A impopularidade de Dilma, a falta de manejo com o legislativo fizeram a mulher que mais longe chegou no Brasil à frente de um cargo no executivo tombar. Dessa vez, por decisão sumária, senadores da inquisição, condenaram-na em meio a um processo cheio de distorções.

Temer foi à reunião das economias mais fortes do mundo, o G20, na China, agora como presidente de fato. O preço dessa vitória vai chegar com juros e correção para o novo chefe do poder executivo brasileiro. Cargos foram barganhados e aliados vão cobrar. Aliás, já começaram. O PSDB quer pôr um fim às bondades do agora ex-interino. O campo é minado. Deve vir mais instabilidade por aí. O mercado, desconfiado, deve reagir negativamente... Isso significa que há problemas em curso que podem tomar proporções ainda maiores e piores.

O outro custo de tudo isso é que a decisão de cassar o mandato de Dilma mas manter seus direitos políticos pode abrir precedentes perigosos. Quem não lembra de Eduardo Cunha? Com mandato suspenso, ele trabalha – com ajuda de Temer – para se manter no cargo e não perder seus direitos políticos. Não duvido que consiga. Cunha não está morto.

Dilma Rousseff ainda pode disputar as eleições de 2018. Não creio que queira. A presidência foi o primeiro cargo eletivo dela e, provavelmente, o último. Até 2018, porém, ainda há trabalho a ser feito. Quem derrubou Dilma tem novo alvo: o nome dele é Lula. Pode apostar! 









segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Prioridades

Fim de ano, começo de ciclo... Recomeço cortando excessos porque, já diz o ditado, tudo demais é veneno. Hora de riscar da vida relações que em nada acrescentam, o bolor de amizades que conhecem apenas via de mão única, projetos inacabados que nunca foram meus, a roupa velha, os papéis que não dizem nada. Hora de definir prioridades! De abandonar hábitos que já não cabem no tempo do que sou agora, de limpar o acúmulo das coisas que já não me reconhecem... Hora da faxina! De deixar pra trás o que já não me completa e investir nas historias que me sorriem, que me leem. Refletir tem dessas coisas: obriga a gente a enxergar os acessórios e a querer o indispensável! Que estejamos novos para um novo ano!

domingo, 21 de dezembro de 2014


Vozes 

Há tantas vozes no meu silêncio. Elas gritam, insinuam. Dizem o que não quero ouvir, teimam em querer desconstruir minhas ilusões – justo as ilusões que crio para justificar minha inércia, meu medo de romper comigo, com meus dilemas, com minhas dores. Dar um passo adiante traz riscos, assusta. É que não dá para prever o que vem depois da curva, por isso eu me agarro à falsa sensação de segurança que reside no ontem... por isso evito o futuro.

Mas essas vozes... ah, essas vozes sufocam! A verdade, no fundo, sempre tira o fôlego, desestabiliza. Traz primeiro a tempestade. E eu? Eu me afundo em incertezas. Ora riso, ora dor, tantos talvez! Como me irrita essa inconstância, essa postura passiva. Mas por hora, só queria calar meus pensamentos e acalmar meu coração. Por hora, só queria esquecer que é possível fazer escolhas e apertar o “mute” no controle da minha vida. Por hora – ou por um minuto sequer – só queria avançar um lapso de tempo, me perder de mim e, curiosamente, me encontrar!